Sábado, Março 06, 2010

Talento + Ego = Jørn Lande

Poucos vocalistas chamaram tanto a atenção na última década quanto o norueguês Jørn Lande, o senhor ego. Encrenqueiro como poucos, o nórdico não se mantém em um grupo por mais de cinco anos.

Desde 1993, quando estreou no cenário do hard rock/heavy metal com a banda Vagabond, Lande demonstrou a sua versatilidade em cerca de 30 discos, divididos entre 14 projetos diferentes.

O currículo do cantor é vasto. Jørn gravou com o The Snakes, Mundanus Imperium, Ark, Millenium, Beyond Twilight, Brazen Abbot, Russel Allen, Avantasia, Ken Hensley, Masterplan e Ayreon. Sem falar na carreira solo, iniciada em 2000, com sete trabalhos lançados.

Alheio às comparações com Dio e Coverdale, o vocalista conseguiu se firmar como o mais talentoso da sua geração. Quem duvida basta ouvir os álbuns Burn the Sun, The Devil's Hall of Fame ou Masterplan para comprovar.

Falando em Masterplan, Jørn Lande voltou para o grupo três anos depois de ter alegado as famosas diferenças criativas. Um novo disco está programado para sair em abril, pela gravadora AFM Records. Vamos ver se agora dá certo.

Ouça Master of Sorrow, gravada em 2007.

Quinta-feira, Março 04, 2010

O som de Canterbury

Canterbury é conhecida por duas coisas: pela histórica Catedral da Cantuária, construída há séculos em estilo gótico, que é patrimônio da Unesco, e pela cena musical criada no final dos anos 60.

Na cidade localizada no sudeste da Inglaterra, que hoje tem mais de 50 mil habitantes, surgiram bandas como Soft Machine, Caravan e Gong², que faziam um som que misturava o rock progressivo com o jazz e a psicodelia.

Mais do que uma vertente do rock, a cena de Canterbury produziu artistas que apareceram e sumiram da mesma forma meteórica, deixando apenas um registro para os fãs do gênero. O caso mais famoso é o do Khan, que durou 18 meses.

Formado em abril de 1971, em Londres, a banda contava com os melhores músicos da região como Nick Greenwood (baixo e vocal), Eric Peachy (bateria), Dave Stewart (teclados) e o mestre Steve Hillage (guitarra e vocal).

O resultado dessa união é Space Shanty, lançado em maio do ano seguinte pela Deram Records. As seis belíssimas e complexas composições do disco deixam uma incrível vontade de ouvir mais, o que infelizmente não é possível.

Outras bandas da cena já citadas acima tiveram mais sorte que o Khan, lançaram vários álbuns e ainda hoje são lembradas como grandes nomes do rock progressivo, mas possivelmente não gravaram um disco tão bacana quanto esse, um dos clássicos perdidos do estilo.

Confira o post no site Progshine.

Ouça Driving to Amsterdam, quarta faixa de Space Shanty.



²Banda de origem francesa.

Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010

Um ano sem John Martyn

Acabei de descobrir a obra de John Martyn, nome artístico usado pelo compositor inglês Iain David McGeachy, que morreu aos 60 anos em janeiro de 2009, vítima de uma pneumonia.

Em quatro décadas de carreira, Martyn lançou mais de 20 discos de estúdio e influenciou gente como Eric Clapton, que regravou a clássica May You Never em 1977, e chegou a dizer publicamente que "John Martyn está tão à frente de tudo, é quase inconcebível".

Sua obra-prima é Solid Air, de 1973, que contem a música citada acima e grandes momentos como Over the Hill e Solid Air, escrita para o amigo Nick Drake, outra lenda do folk britânico, que morreu de overdose um ano depois.

Não posso esquecer de citar o disco Bless the Weather, lançado em 1971, seu terceiro trabalho solo. John Martyn tem uma voz fantástica e toca violão como nenhum outro. Seu estilo inimitável deveria ser reconhecido em todo o mundo, mas as coisas não acontecem dessa forma, infelizmente.

Ouça Walk to the Water, de Bless the Weather.

Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010

O fenômeno chamado Kiss

Há exatos 36 anos, o Kiss lançava o seu primeiro disco, homônimo. De todos os 19 álbuns de estúdio do grupo, esse é o mais divertido (e honesto).

Livres dos problemas causados pelo sucesso e dinheiro que viriam tempos depois, Paul Stanley (vocal e guitarra), Peter Criss (bateria e vocal), Gene Simmons (baixo e vocal) e Ace Frehley (guitarra e vocal) gravaram um clássico do rock. Músicas como Strutter e Cold Gin não podem faltar nos shows do quarteto dos caras-pintadas.

Falando em maquiagem, a patente das "máscaras" ainda hoje rende discussão. Essa é a parte complicada da história. O Kiss é mais conhecido por conta do marketing, produtos bizarros e número de mulheres que Simmons traçou do que pela música, o que é uma pena.

 Eu mesmo fiquei anos sem ouvir o Kiss em virtude desse circo maluco criado em torno do grupo (com a ajuda deles). Mais uma vez, estava errado.

Afinal, uma banda que resistiu à era disco, ao punk, ao hard rock dos anos 80, ao grunge e continua chutando bundas por aí, merece o meu respeito.


Ouça Black Diamond, um dos clássicos do Kiss.

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Louco por W.A.S.P.

No ano passado, a banda californiana W.A.S.P. comemorou os 25 anos de lançamento do primeiro disco com Babylon, um trabalho que passou despercebido.

Lançado no dia 12 de outubro pela Demolition Records, o 14ª álbum de estúdio do projeto solo de Blackie Lawless (vocal e guitarra) traz sete músicas inéditas e duas ótimas versões para Burn, do Purple e Promised Land, de Chuck Berry.

Blackie Lawless, criador de clássicos como Hold On to My Heart e Animal (Fuck Like a Beast), fala sobre os quatro cavaleiros do apocalipse em Babylon, e mostra que melhora com o passar do tempo. Aos 53 anos, sua voz está melhor do que nunca.

Os destaques do disco são a galopante Babylon's Burning (clipe), a lenta Into the Fire, e Crazy, melhor música de Babylon. As performances individuais precisas de Doug Blair (guitarra), Mike Duda (baixo) e Mike Dupke (bateria) enriqueceram o novo trabalho.

Apesar de não ter o reconhecimento merecido através dos anos, Blackie Lawless continua gravando e excursionando por aí. O W.A.S.P. é uma das grandes bandas do hard rock/heavy metal. Babylon é a prova disso.

Ouça Crazy, música que abre o último disco.

Domingo, Janeiro 31, 2010

Uma noite para relembrar

A primeira vez que ouvi heavy metal deve fazer uns 12 anos, quando vi o clipe da música The Unforgiven na casa de um amigo.

Ter descoberto o Metallica foi como um choque e, desde então, sempre sonhei em poder assistir um show de James Hetfield (vocal e guitarra), Lars Ulrich (bateria) e Kirk Hammett (guitarra solo).

Acompanhados desde 2003 pelo baixista Robert Trujillo (ex-Suicidal Tendencies e Ozzy), o grupo se apresentou na última quinta-feira (dia 28) em Porto Alegre comigo na plateia. Os caras estavam de brincadeira. Clássico atrás de clássico, eu não acreditava no que via. Foi sensacional.

Apesar de todo o cansaço da viagem, do péssimo lugar onde fomos colocados, valeu muito a pena. Já assisti dois shows do Megadeth (2005 e 2008), mas esse foi o melhor da minha vida, sem dúvidas. Saiba mais aqui.

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

Melhor disco de 2010

The Never Ending Way of ORwarriOR, novo disco da banda israelense Orphaned Land, lançado hoje na Europa pela Century Media Records, é um dos trabalhos mais aguardados nos últimos tempos.

Após gravar a obra-prima conceitual Mabool - The Story of the Three Sons of Seven (2004), aclamada nos quatro cantos do mundo, o grupo conviveu com a pressão de superar a qualidade alcançada em Mabool.

O produtor britânico Steven Wilson, que ajudou a lapidar o Opeth, teve a missão de levar o Orphaned Land a novos ares. E conseguiu. O som do sexteto formado por Kobi Farhi (vocal), Yossi Sassi (guitarra, piano e cordas), Matti Svatitzki (guitarra), Uri Zelcha (baixo), Matan Shmuely (bateria) e Shlomit Levi (vocal) está ainda mais progressivo.

Poucas bandas podem se orgulhar de ter criado um estilo. Ouvir The Never Ending Way of the ORwarriOR é uma experiência indescritível, tão única como a que tive há seis anos.

A música do grupo é uma mistura de subgêneros do heavy metal como death, doom, folk e progressivo, com elementos orientais, tudo encaixado de uma forma incrivelmente coesa. Ponto para Steven Wilson e sua excelente produção.

Se o novo disco é melhor do que o Mabool, ainda é cedo para dizer. Sei que ainda estamos em janeiro, mas duvido que alguém lance um trabalho superior ao do Orphaned Land em 2010. Que não demorem mais seis anos para gravar outro!

Ouça Treading Through Darkness, faixa quatro do novo álbum.

Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

Sweden rocks!

O que os países escandinavos (Dinamarca, Noruega, Finlândia, Suécia e Islândia) têm para surgirem tantas bandas e artistas bons por aqueles lados?

Depois dos Estados Unidos e da Inglaterra, os nórdicos são os responsáveis por nos darem os melhores grupos de rock e heavy metal.

Vamos pegar o exemplo da Suécia. Como explicar que um país de população 20 vezes menor que a do Brasil tenha pelo menos 100 bandas de bom nível? Se por aqui nós temos Nx Zero, lá eles têm In FlamesOpeth e muitos outros.

A banda que ilustra o post de hoje é o Spiritual Beggars, um dos grandes nomes do Stoner Rock, estilo que mescla o peso do heavy metal com a psicodelia do rock setentista.

O genial guitarrista Michael Amott (Carcass e Arch Enemy), nascido em Londres, mas criado em Halmstad, Suécia, formou o grupo no início dos anos 90. O quinteto, atualmente trabalhando em novas músicas, lançou seis discos, sendo o último, Demons, em 2005.

Amott é acompanhado pelo ótimo vocalista Janne "JB" Christoffersson (entrou em 2001), o baixista dinamarquês Sharlee D'Angelo (ex-King Diamond e Mercyful Fate), o tecladista Per Wiberg (Opeth) e o baterista Ludwig Witt.

Se você gosta daquele rock and roll sujo, pesado, com vocais incríveis, melodias cativantes, riffs poderosos e solos cheio de feeling, não pode deixar de ouvir o maravilhoso Spiritual Beggars, o supergrupo do rock sueco.

Ouça Dying Every Day, do Demons, de 2005.

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

O pai do hip-hop

Medimos a importância dos artistas por uma infinidade de critérios, sendo os mais usados o total de vendas e a influência exercida em outros grupos.

No caso do cantor e poeta norte-americano Gil Scott-Heron, um dos grandes nomes da música negra em todos os tempos, sua obra tem papel fundamental para o surgimento do hip-hop.

O artista não conseguiu fama nem dinheiro com seus discos, mas a fusão do jazz com o funk e a soul music influenciou as gerações seguintes. O marco de sua trajetória é Pieces of a Man, que traz a clássica The Revolution Will Not Be Televised (veja), considerada uma das primeiras canções do hip-hop.

O que os Stooges e o MC5 são para o punk rock, Gil Scott-Heron é para o hip-hop. O pai de um gênero que ainda não existia. Com uma consciência política e crítica social tão feroz quanto um disco do Public Enemy, o cantor captura com perfeição a ira dos oprimidos na América. Qualquer fã de hip-hop que se preze deveria ouvir isso para entender de onde o estilo veio.

Ouça Home Is Where the Hatred Is, de 1971.

Terça-feira, Janeiro 05, 2010

Em busca do tempo perdido

Nunca entendi o motivo de o Heathen não ter o mesmo prestígio do Exodus e do Anthrax, por exemplo, apesar de ser tão bom quanto as duas bandas citadas.

O grupo californiano ficou pelo caminho em 1992, após lançar os clássicos do thrash metal Breaking the Silence e Victims of Deception, que adicionaram melodia ao peso habitual do estilo.

Há alguns anos ensaiaram uma volta com o disco de regravações e covers Recovered e, em 2005, gravaram uma demo com três músicas que estariam no próximo trabalho da banda. Foi o bastante para deixar os fãs do Heathen desesperados pelo novo álbum.

Demorou quase cinco anos, mas David White (vocal) e Lee Altus (guitarra), ambos da formação original, enfim conseguiram concretizar o tão aguardado retorno. The Evolution of Chaos será lançado no dia 25 de janeiro, pela Mascot Records. Completam o quinteto Kragen Lum (guitarra), Jon Torres (baixo) e Darren Minter (bateria).

Sinceramente, não tenho palavras para descrever o quanto esse disco é fantástico. São tantos riffs e solos incríveis que eu perdi mais tempo escolhendo a música do que escrevendo. O segundo escalão do thrash metal é pouco para o Heathen, que arregaçou com o monumental The Evolution of Chaos.

Ouça a faixa de abertura Dying Season.